Abril 29, 2012
E quase tudo mudou…

Mais de quinze dias longe do blog, mas sem tempo para respirar, ir à faculdade e participar das reuniões de pauta da revista da Cultura e do site Saraiva Conteúdo.

Comecei a trabalhar em uma emissora de TV, a Mix TV, como desejei desde o começo da faculdade de jornalismo. A cada semestre venho concretizando o meu desejo de participar, trabalhar e conhecer todos os meios de comunicação – ainda mais hoje em dia, em que o mercado de trabalho necessita, cada vez mais, de jornalistas multimidiáticos.

É bem legal o trabalho. Amo. Faça a produção de um programa de moda apresentado pela Leticia Wiermann – modelo e filha de José Luiz Datena. “Repaginada” é um programa de TV que ajuda as pessoas a melhorarem o seu “problema” de estilo e a reformularem o visual. O trabalho em si é bem cansativo, são gravações em locações diferentes, duas ou mais por dia e meu papel é cuidar de todo mundo, de todas as necessidades da equipe, do cronograma de atividades do dia e também dos horários.

O interessante da Mix TV, concorrente direta da MTV, é o fato de ser uma emissora pequena com o foco no jornalismo que amo e trabalho, o cultural.  Por isso, quase toda a programação é focada em música pop. Inclusive, no dia 24 de maio (véspera do meu aniversário), haverá um show do “Paralamas do Sucesso” para o programa “Álbuns Clássicos”.

“Álbuns Clássicos” é um projeto transmidiático da emissora, veiculado pelo site, pela TV e pelo rádio – outro veículo do grupo Mix – em que é realizado um show e uma entrevista com uma banda bem conhecida do pop rock brasileiro. Parece-me que será um evento bem interessante (estou empolgada para participar, mesmo não sabendo se terei que ajudar em algo ou só participar do programa como público).

Outro evento do qual irei participar pela emissora é a Virada Cultural 2012 em São Paulo, capital, na área de imprensa. Consegui cadastrar-me para ver o show do Gilberto Gil em um espaço especial para os veículos de comunicação. Sensacional! É bom que dará para chegar em cima do hora de começar e não terei a preocupação em relação à visão do espetáculo, bem como de ficar no meio da aglomeração. Poderei tirar boas fotos.

Enquanto tudo isto acontece na minha vida, em São Paulo termina a exposição sobre o cartunista Angeli no Itaú Cultural. Infelizmente não tive tempo de ir vê-la (despeço-me dela com o coração “em prantos”), mas meus amiguinhos que foram me disseram que estava sensacional.

@ma_palas

 A música é para comer - Sérgio Ricardo faz 80 anos em conjunto com 110 anos de Carlos Drummond de Andrade. Por isto, o músico faz um turnê de comemoração de todas estas datas - destaque nesta apresentação é uma poema de Drummond musicado por Sérgio.

No vídeo, abertura do show com esta música de Sérgio / Drummond cantada por ele e outro grandes nomes da MPB.

 

Abril 9, 2012
Imagens das distorções musicais

Desde o dia 04 deste mês, entrou em cartaz a exposição “Let´s Rock” na OCA – São Paulo (SP).

No post de hoje, ao invés de descrever o evento com palavras, publico fotos sobre o que mais me marcou entre tantas imagens significativas da história do rock.

Na exposição, há 75 fotografias do Bob Gruen - considerado o maior fotógrafo de rock e roll. Clique aqui e veja o meu vídeo de um trecho da palestra que o Bob concedeu na exposição, no dia 06.

Escolha o seu disco favorito do “David Bowie”.

No escuro há som (Maira Reis).

Instalação de guitarras suspensas no ar.

Três grandes guitarras de um mestre. Quer saber qual? A foto não nos deixa saber.

Mostra de guitarras (pode escolher a sua!).

 

Uma revista para adultos - em todos os sentidos.

A revista “Rolling Stone” tem uma área para visitação de suas importantes capas.

 

Capa da “Rolling Stone” com a “família Simpsons” plagiando os “Beatles” (simplesmente amei!).

A história do rock pelo lançamento de cds/discos de bandas, artistas nacionais e internacionais.

Entrada de um container onde há instalações na parede sobre um período do rock e roll.

Parede inteira da instalação de um container de outra época do rock e roll.

Detalhe do cartaz da banda “The Strokes” em outra parede do container no evento.

Detalhe de mais uma parede dentro do container. A foto representa uma bandeira da “banda Franz Ferdinand”.

Notícia de um show do “New Order” no Ibirapuera.

 

Instalação em container referente aos anos 90 do rock.

@ma_palas

Créditos Fotos: Maira Reis.

A música é para comer: Foster The People - Houdini

Em homenagem ao Lollapalooza Brasil – festival musical realizado neste final de semana, em São Paulo – indico uma música de uma banda que teve um dos melhores shows deste evento.

O Foster the People abriu o seu show com este som.

 

Março 27, 2012
Dois livros em uma leitura só

Era um simples livro indicado por alguém especial. Não dei muita bola, apesar de saber que seu autor tem status e renome na vida cultural brasileira. É sobre cantores e compositores conhecidos e que todo mundo gosta, de certa forma.

Sabia um pouco sobre cada um deles. Já admirava algumas de suas canções. Outras, foram desvendadas, quando era necessário (desde criança participei de corais, no interior de Minas, que tinham um repertório focado em Música Popular Brasileira).

Envolvi-me com o livro de forma intensa. Ainda não o terminei, pois a sua leitura está sendo interrompida por uma sucessão de audições de músicas, além de inúmeros documentários no Youtube e até em casa de amigos, ou seja, uma sequência de fatos interessantes que me envolve ainda mais na leitura do livro.

Como já havia comentado aqui, estou lendo “Noites Tropicais” de Nelson Motta. Em conjunto, porque acho que tem tudo a ver, comecei a ler “Vale tudo: Tim Maia”, também do Nelson. O interessante é que os dois livros estão em conexão, apesar de “Vale Tudo”, ser mais focado na história de um só cantor enquanto que o outro descreve os movimentos da Música Popular Brasileira, dentro de uma mesma cronologia.

O que me fez escrever este texto é que domingo (25), fui à casa da jornalista Cristina Judar para fazer uma “tarde de cinema”, para vermos vários filmes e debatê-los. Durante a escolha do primeiro a ser assistido, descobrimos, em sua coleção de DVDs, o documentário intitulado “Uma noite em 67” – que se refere ao III Festival da Música Popular Brasileira, realizado pela Rede Record.

Nele, Edu Lobo, Nara Leão, Elis Regina, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Sérgio Ricardo, MPB4, Os Mutantes, Roberto Carlos, Nana Caymmin “disputam” perante o júri e uma plateia efusiva qual seria a melhor canção daquela transmissão televisiva. Foi lindo ver passagens do livro serem reproduzidas em imagens e sons, digamos que, “ao vivo” para mim. Aquilo tudo era tão mágico quanto uma moeda tirada por um mágico detrás de uma orelha de uma criança.               

Apesar de este DVD e o livro não serem de publicações recentes, demorei muito para descobri-los e para conseguir, por intermédio deles, entender um pouco mais sobre a nossa música e de como muita coisa aconteceu – digo, a Bossa Nova, a Jovem Guarda, o Tropicalismo e a Era dos Festivais. Conhecer música por indicação e necessidade é bom, mas saber como tudo aconteceu detalhadamente – os shows, as composições e até brigas e parcerias – ­é muito mais interessante, importante e “gostoso”. O impacto da informação ronda a mente, assim como as sucessivas conexões dos neurônios, que nunca param.

Estou embriagada por conhecer um pouquinho mais sobre mim mesma, minha cultura e suas manifestações. Além disso, é muito bom descobrir o quanto nossos artistas possuíam uma musicalidade, expressividade, humildade e grandeza aos vinte e poucos anos.  

Salve o Dionísio das partituras e das notas musicais brasileiras.

A música é para comer: O Cantador - Elis Regina (performance na Teve Record)

Música de Dori Caymmmi e Nelson Motta, que deu a Elis Regina o prêmio de “Melhor Intérprete” no III Festival da Música Popular Brasileira.

Para mim é uma das canções mais bonita desta edição do Festival.

Março 21, 2012
Fui a Roma

Esta é a semana de “passeios” em museus. Na verdade, é que tenho um jornal da faculdade para fazer e minha editoria – em jornalismo esta palavra significa uma sessão de determinado assunto de um jornal – é Turismo. Resolvemos explicar sobre as atrações do Parque Ibirapuera para nossos leitores, pois é um espaço onde há também muitos, enormes e importantíssimos museus brasileiros. Minha parte nesta reportagem é escrever sobre o Museu Afro e o Museu de Arte Moderna (MAM) – acho que irei discorrer também sobre o Planetário –, que se encontram nesta localidade.

Antes de falar do “Ibira” – ficará para outro post – quero falar de outra exposição hoje. Ela ganhou este mérito porque é resultado de vários fatores: o local onde se encontra, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), sua importância para história da humanidade e da história da arte e toda beleza e magnitude desta exibição. Refiro-me à exposição “Roma – A Vida e os Imperadores”, disponível para visitação até 22 de abril. 

Toda exposição é dos acervos das seguintes instituições: Museu Nacional de Roma, Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, Museu Arqueológico de Florença, Museu Arqueológico de Fiesole e também da Galeria Uffizi.

A curadoria é de Guido Clemente, professor de História Romana da Universidade de Florença, que começa a descrever seu trabalho assim:

“Romanos. Nós somos herdeiros dos romanos. Mas em que sentido?

Muitos povos, entre eles, os brasileiros, falam uma língua que descende do latim, a língua romana. Muitos sistemas jurídicos modernos são fundamentos no direito romano.

De alguma forma, nosso modo de vida assemelha-se muito àqueles dos romanos que viviam no Império: vamos ao teatro, nos divertimos no estádio, como os romanos se divertiam no Coliseu. A arte dos romanos ainda nos fascina, assim como os escritores nos emocionam ainda hoje. Com eles aprendemos a governar cidades, a eleger os nossos representantes municipais. Este sistema de valor atravessou os séculos e chegou até nós. A grande arte do Renascimento, o renascer da historiografia, a renovada utilidade das cidades encontram inspirações na vida romana”.

Depois que li estas palavras com a visão, do meu lado direito, de uma enorme cabeça, em mármore, de um grande escritor e imperador romano chamado Julio César, esperava mais o que da “Roma” no MASP? Talvez deparar com uma estátua de mármore de 220 centímetros?

Juro. Quando dei mais alguns passos para outro quadrado (ou, mais especificamente, módulos como é adjetivado pelo MASP os espaços com diferentes temas da exibição) e fiquei impactada com uma imagem, de corpo inteiro e com vestimenta, do Calígula (foto acima). Além de linda, é artística, é plena, é suave, é robusta. São tantas sensações e definições juntas que, em menos de dois segundos, estava totalmente, de corpo e alma, em Roma Antiga.

E lá encontrei, primeiramente, com Vênus Agachada em seu tamanho de 122 centímetros. Aprendi geometria com um aparelho estranho – mais parece uma armação de marionetes.  Conheci a “rixa” entre romanos e gregos. Vi a potência do teatro e da beleza de suas máscaras romanas. Entendi que a sociedade é dividida entre aristocracia (imperador e senado), burocracia (que tem vínculo com o imperador), escravos e cidadãos (alguns que são livres, artesões, comerciantes, advogados e camponeses) – neste momento, compreendi o poder dos imperadores e suas belezas. Glorifiquei com a capacidade multicultural dos romanos na sua religião politeísta e suas estátuas de deuses tão lindas, alguns representados em  pequenas estátuas. Vi o luxo e riqueza em mais de 60 joias. Soube o modo de comer com utensílios que são esteticamente perfeitos e úteis. Quase entrei em um sarcófago, pois achei tão interessante ter uma cama de mármore. Andei, andei e andei. Percorri os séculos I e II d.C.

A ao me deparar com uma parede de Pompéia, que descrevia um banquete, lembrei-me que tinha fome de comer. Eram letras que tinha que mastigar. Hora de ir embora (infelizmente) para trabalhar.

@ma_palas

A música é para comer: Yeasayer - 2080

Por incrível que pareça, descobri hoje esta banda. É ótima.

O começo desta música parece mais uma viagem ao tempo, tudo a ver com este post.

O mais interessante é que as apresentações e performances da Yeasayer sempre têm um visual psicodélico, segundo minha pesquisa.

Março 16, 2012
O porquê estou traindo

Têm dias que gosto de pegar ônibus, depois de um dia intenso de trabalho, só para ver o movimento da cidade. Excepcionalmente hoje, a cidade não tinha barulho (o que mais queria olhar e sentir). Estava tão silenciosa quanto à tranquilidade do ônibus que passa pelo farol sem “pegá-lo” vermelho. Também queria o quê? Eram 23h50min de uma (brava?) segunda-feira.

Esta sensação de calmaria é transferida para este blog porque notifico uma mudança de linguagem sem deixar de perder sua essência como meio de informação: ser o transmissor de uma parte desta cultura tão multiplural.

A mudança não é devido à falta de tempo, mas sim um desejo de fazer algo diferente do que já faço com jornalismo em 24h do meu dia. Diferente no sentido de poder expor minha opinião sobre exposições e artistas que tenho contato e entrevisto, além de recomendar músicas diferentes – que amo descobrir.

E por falar nisso, em recomendação… Hoje acabei de assistir a primeira temporada da série “Homeland” e que estreia na FOX – a primeira temporada – esta semana (não sei o dia exato).  Gostei muito, apesar de que esperava mais do final – vale ressaltar: o fim não é decepcionante, só uma parte de mim esperava bem mais do final (coisa inexplicável de quem viu 12 capítulos em um final de semana).

A história é sobre Carrie Mathison (Claire Danes), uma agente de operações da CIA, que desconfia de que o fuzileiro Nicholas Brody (Damian Lewis) trabalha para Al-Qaeda após 8 anos de prisão em território iraquiano. O interessante é que Carrie irá envolver com a história e afastar de suas funções de espiã, mas não deixará de continuar a trabalhar para o governo americano. Ela é muito inteligente e esperta, mesmo com problemas sérios devido a sua bipolaridade.

Depois do final desta série, já fiquei em choque para querer ver a segunda temporada. Segundo informações de sites sobre séries, a Showtime renovou o contrato e já começaram gravar a segunda temporada. A estreia, nos Estados Unidos, está prevista para o meio deste ano. Ou seja, temos que esperar pelos novos capítulos. Paciência.

Enquanto isto, me envolvi com a série Flash Forward - que só teve uma temporada gravada. Ao contrário de Homeland, com ela sinto muito medo. Imagina se você tivesse a visão do que iria acontecer na sua vida daqui a seis meses? Será que você iria querer saber? E o pior é: será que sua visão seria boa ou ruim? Qual seria sua atitude perante este conhecimento?

Minhas perguntas são questionamentos sobre o enredo de Flash Forward, onde um evento misterioso aconteceu no mundo e os habitantes da terra experimentaram por dois minutos e dezessete segundos suas vidas em um futuro que corresponde ao tempo de seis meses.

E neste processo de vivências da série Flash Forward, também resolvi “experimentar” o tempo. Só que meu processo é contrário da sequência televisiva. Ao invés de ver o futuro, resolvi voltar no passado, em, mais ou menos, uns 30 anos de Brasil e de Música Popular Brasileira (MPB).  

Comecei a ler o livro Noite Tropicais (Objetiva) de Nelson Motta, no qual narra os bastidores da MPB. A obra começa no período da Bossa Nova com João Gilberto e seu violão até atingir a música sertaneja (digo, música sertaneja e não sertanejo universitário. Há uma grande diferença entre estas duas vertentes musicais).

Estou gostando bastante – amando para falar a verdade. Aliás, em meu âmago sinto-me meio perdida porque vivo um momento de mudança cultural. Entre um capítulo e outro do Flash Forward leio algumas páginas do livro do Nelson. Exemplifico melhor minhas sensações: é como se eu tivesse traindo alguém quando paro de ver a série para ler o livro. Mas fazer o quê? Toda traição é sinal de aventura e a minha é sempre buscar pela melhor história. Portanto, traio com orgulho.

A música é para comer: O Pato – Jõao Gilberto

Segundo Nelson Motta, em 1960, João Gilberto lança seu segundo Lp (O amor, o sorriso e a flor) e “estoura” nas rádios com vários clássicos, entre eles O Pato.

Esta estão marca o surgimento  da Bossa Nova.

Também a acho uma gracinha, fofa e com uma melodia tão gostosa que não tem como não cantar o dia inteiro. Quém! Quém!

@ma_palas

Fevereiro 13, 2012
Entrevista - Mário Viana

Mário Viana é um dos profissionais com um “currículo cultural” invejável.  Formou-se em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou na Folha e no Estado de São Paulo, além da Revista Veja. Desenvolveu uma carreira de dramaturgo, tendo peças montadas pelos Parlapatões. Além do mais, Paulo Autran dirigiu uma de suas peças e, em outra, teve a atuação de Zezeh Barbosa.

Mário recebeu vários prêmios, mas nesta entrevista ele fala qual considera o mais importante:

As Metonímias – No início de sua carreira, você teve aulas com Antunes Filho, ao lado de Antônio Araújo e Hugo Possolo. Logo depois, resultou em uma parceria com os Parlapatões. Além de tudo isso, trabalhou na Revista Veja, Folha e foi editor de turismo do O Estado de São Paulo. Como conseguiu conciliar a carreira de jornalista com a de dramaturgo?

Mário Viana – Quando eu optei por Jornalismo como carreira, no final dos anos 70, era porque parecia ser a única maneira de ganhar a vida e pagar as contas fazendo uma coisa que gosto; a única coisa que gosto: escrever. Só na metade final dos anos 80 é que retomei a vontade de escrever para o teatro, me candidatando a uma vaga de dramaturgia no CPT. As aulas eram dadas pelo Luís Alberto de Abreu, de quem virei fã, discípulo, amigo, tudo. Logo após a estreia de Chica da Silva, Abreu e Antunes se desentenderam e a gente saiu com o Abreu. Formamos grupos independentes de estudo de dramaturgia, reuniões nas horas mais esquisitas (domingo de manhã…). Valeu a pena. Enquanto isso, o jornalismo me ajudava a pagar a vida. Além disso, quando fui para o Turismo do Estadão, exercitei um texto mais solto, menos factual, menos frio. Isso me ajudou para caramba.

As Metonímias – A sua peça “Vestir o Pai” foi dirigida por Paulo Autran em 2003, além de ter recebido prêmios em concurso de dramaturgia pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, em 2000 e 2001. Qual é a sensação de ver seu texto tendo destaque por vários anos?

Mário Viana – É curioso mesmo. Quando Paulo Autran mandou dizer que queria dirigir a peça, eu nem acreditei, gelei, tudo. Depois, Angela Barros também dirigiu uma versão da peça, menos acadêmica, mais irreverente. E teve as leituras e remontagens que nem cheguei a ver. Acho que a história da peça pega na veia de qualquer pessoa que tenha família. Ouvir o público rindo da peça no Brasil, na Itália ou no Uruguai me deu a certeza de ter acertado o tom no texto.

 As Metonímias – Existe diferença entre colaborar para uma telenovela no Brasil e em Portugal?

Mário Viana – Nunca colaborei diretamente com Portugal. Fizemos, sob a batuta do Aimar Labaki, autor da adaptação, uma novela coproduzida por Brasil e Portugal. Nosso cuidado era armar um texto que fosse compreendido nos dois países, especialmente porque nós temos dificuldade em entender os portugueses quando eles falam depressa e engolem algumas sílabas. Mas essa é uma experiência que eu não recusaria: passar um ano em Lisboa escrevendo novelas portuguesas. Eles têm bons atores - mas também criaram bons autores, ou pelo menos autores que sabem escrever sobre seu público. Isso é muito importante. 

As Metonímias – Qual é o segredo de sucesso da peça “Carro de Paulista”, que está há sete anos em cartaz e virou um telefilme - dirigido por Ricardo Pinto e Silva - que também resultará em um livro a ser lançado pela Coleção Aplauso?”

Mário Viana – “Carro de Paulista” ficou oito anos em cartaz, virou telefilme e livro. Uma carreira inesperada para uma obra montada com 800 reais… Escrevi o argumento e desenvolvi a peça com o Alessandro Marson – que hoje é colaborador de grandes autores da Globo (Walter Negrão, Thelma Guedes & Duca Rachid, João Emanuel Carneiro). Acho que o segredo de “Carro” é não inventar firula, é dar nome aos bois. São quatro rapazes absolutamente “durangos” saindo pra uma noite de muita farra e sexo, sem fazer a menor ideia dos códigos de conduta que existem do outro lado da cidade. É um espetáculo sobre segregação social, mas sem rancor, sem pedras na mão. É uma comédia de costumes que acaba por agradar muito aos homens da plateia. Talvez este seja o grande segredo. Em geral, a gente quer agradar às mulheres, que são maioria e são quem escolhe o programa do casal. Mas quando o homem gosta da peça, ele quer voltar e trazer os amigos.

 As Metonímias – De todos os prêmios que você ganhou, qual considera o mais importante em sua carreira de dramaturgo?

Mário Viana – O aplauso do público. O riso aberto da plateia. É uma sensação deliciosa, gratificante. Mais que isso, só mesmo conhecer alguém que tenha ido pela primeira vez ao teatro e caiu justo numa peça minha. E a pessoa diz: “Isso é que é teatro? Nossa, eu adorei”. É emocionante conquistar mais um paras nossas fileiras. 

As Metonímias – Quais são os seus próximos planos para peças e textos?

Mário Viana – 2012 pode até ter peças novas minhas nos palcos, mas serão peças escritas há algum tempo e ainda virgens de encenação. Mas o ano será de TV, como colaborador de Lauro César Muniz e Renato Modesto, em “Máscaras”. Vai ser uma novela forte, inteligente, com um texto de altíssima qualidade. Sem modéstia nenhuma… (risos).

Fevereiro 3, 2012
Primeira edição da Green Sunset em 2012

Se há uma balada interessante em São Paulo (SP) é a festa “Green Sunset”, realizada no Museu de Imagem e Som (MIS) . Misturando projeções na fachada do museu e música eletrônica, a 12ª Green Sunset terá a sua primeira edição em 2012, no dia 11 de fevereiro (sábado).

O evento acontece das 16 às 22h e terá como atração principal o DJ suíço Quarion – que apresenta uma sonoridade onde mistura influência de jazz e hip hop. Este tem como hits “Karasu” e “Pepper Candy”.

Haverá também performances do DJ Tahira e videomapping do VJ Suave com intervenções artísticas do grupo Grite Poesias.

Durante a festa haverá open bar. 

Serviço:
Na “12ª Green Sunset” está disponível a venda de 1800 ingressos. Para adquirir, compareça na bilheteria do MIS (terça a sábado, das 12h às 21h30h; domingos e feriados, das 11h às 20h30) pelo preço de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). O público também poderá comprá-lo pelo site: www.ingressorapido.com.br. Neste caso, estará à venda apenas a entrada inteira (a meia deve ser adquirida somente na bilheteria do MIS). Cada pessoa tem direito a comprar cinco ingressos - que não estarão à venda no dia da festa. Na entrada, será preciso apresentar o documento de identidade.

A música é para comer - O post de hoje ficará com um dos hits do Dj Quarion para que você possa adentrar no clima do evento e imaginando as sensacionais projeções no prédio do MIS.

Janeiro 28, 2012
Entrevista - André Zilar, banda Bravado

“As Metonímias” estreia seus trabalhos em 2012 em uma conversa com André Zilar - roqueiro e líder da banda Bravado.

Com site lançado no segundo semestre de 2011 e uma composição que teve destaque neste blog (clique aqui para vê-la), a banda Bravado está cheia de planos e com vontade de produzir um som de qualidade. Seu trabalho é inovador ao envolver músicos talentosos em suas produções.

Leia a agradável entrevista em que Zilar fala detalhadamente sobre todo seu processo criativo, influências e futuras apresentações.

As Metonímias: Quando e onde a banda foi formada?

André Zilar: A banda surge em São Paulo, mais ou menos em outubro de 2010. Mas é meio injusto dizer que ela nasceu de fato só em São Paulo. Acho que ela fica meio que no eixo Sampa-Santos.

As Metonímias: O que o motivou a formá-la?

André Zilar: Olha, a banda iniciou como um projeto-solo com um só objetivo: gravar e lançar tudo, todas as músicas que compus e componho. Cansei de ficar naquela paranoia de poder lançar aquilo, não pode lançar aquela… Cheguei à conclusão que estávamos já em 2010 e não fazia sentido criar uma banda pensando em álbuns, cd’s e outros formatos. Acredito que as pessoas hoje em dia ouvem músicas e não “obras”. Creio que a “Bravado” é e será sempre isso: uma banda que não objetiva uma obra, mas acabará construindo uma por consequência.

As Metonímias: Quem são os integrantes?

André Zilar: Em 2010 a Bravado começou com dois caras: Um é o Yuri Callazans, em São Paulo. Músico formado e já experiente em acompanhar diferentes artistas de outros estilos, ele sempre apoiou essa minha empreitada maluca de compor. O outro foi o André Freitas, que já tinha trabalhado comigo em outra banda que tive, na época gravando o CD junto do Marcão – guitarra do Charlie Brown Jr.

Depois daquela experiência viramos parceiros e ele decidiu me ajudar. Quando começamos a produzir as primeiras músicas, ele me indicou outros dois conhecidos amigos da noite de Santos, o Cláudio e o Anderson. Quando eles entraram nesse esquema “tudo junto e misturado”, aí conseguimos produzir nesse time maluco todas as vertentes que curto, sem prejudicar a história de cada música.

No final é meio difícil falar em uma formação de banda tradicional no atual momento. Na próxima faixa, por exemplo, o Tinello (Pedro) entrou com tudo na bateria. Em outras que estão para sair, terei outros parceiros… E assim a coisa vai. Creio que com o tempo a formação será algo como “uma e ao mesmo tempo muitas possíveis” e é isso que eu gosto da “Bravado” – qualquer um pode ser parte da banda.

As Metonímias: Quais são as principais influências musicais?

André Zilar: Influências! De primeira, fica impossível não falar do Foo Fighters, do AC/DC, do Cris Cornell e seu trabalho no extinto Audioslave. Lá dos lados mais indie, tenho no coração o Hives, o Jet e até mesmo o Kings of Leon. Como influências mais pontuais tenho a alegria de ouvir Nirvana, Pearl Jam. O hard rock do Guns não é tão visível, mas está lá. E, volta e meia, até mesmo fico tentando criar uma paralelo entre coisas como Stone Temple Pilots e projetos como o Them Crooked Vulture. Os grandes clássicos como Bowie, Led Zeppelin e Black Sabbath eu nem vou levantar, é óbvio que todo roqueiro passa por ali para “dar um gole”. Mas não é só de rock gringo que me alimento. Oh, não.

Muita coisa aparece considerando nosso rock nacional de Cazuza, Renato Russo e o Herbert Vianna, em minha opinião grandes compositores. Mas também é impossível não falar de referências à nossa MPB, como Paulinho Moska, Zeca Baleiro e outros que me mostraram como dá para fazer as pazes com nosso idioma e contar histórias de vida relevantes.

As Metonímias: Quem são os responsáveis pelas composições?

André Zilar: O processo de composição-composição mesmo começa comigo, na minha casa. Eu e violão, um punhado de histórias pra contar (letras) e a vontade de encontrar um flow natural entre letra e música. Isso demora. Daí a coisa evolui muito, indo ou para o Yuri ou para o Anderson, que sofrem na mão de minhas pobres gravações caseiras para criar arranjos que ‘meu Deus’, enriquecem demais as músicas. Tudo isso acaba ficando ainda melhor com o Cláudio e com os toques de quem “vem junto”.

As Metonímias: Fale sobre planos futuros e possíveis apresentações.

André Zilar: Os planos para 2012 são ótimos. A meta do ano é lançar o primeiro videoclipe, sequer preocupado se ele de fato irá “para a TV, mas com certeza colocá-lo para falar diretamente com os primeiros “Bravados” que eu encontrei espalhados por aí. Nesse meio tempo quero lançar mais 6 a 7 músicas este ano e fazer as primeiras apresentações da banda em São Paulo e onde mais nos chamarem. De qualquer maneira, foco 100% em show é algo, que se não for provocado pelo acaso, iremos buscar no 2º semestre/começo do ano que vem. Mas acho que é meio cedo e tolo ficar planejando esse tipo de coisa. Como o objetivo é tocar por aí, quem pode dizer quando começamos a fazer shows? Só as pessoas que nos ouvem, não é mesmo?

Dezembro 22, 2011
Final de ano - Banda Bravado

Vejam o vídeo da mensagem de Final de Ano da banda Bravado.

Eles serão a próxima pauta deste blog, em janeiro.

\o/

4:16pm  |   URL: http://tmblr.co/ZbywMxDeAU_A
Arquivada em: música banda Bravado 
Dezembro 19, 2011
Presente de Natal e Férias determinadas

Tantos eventos culturais estes dias, um atrás do outro, que nem deu tempo para parar, sentar e atualizar este blog.

Necessito de algumas férias (sério!). Este ano foi culturalmente ótimo, posso brindar que neste espaço teve um grande fluxo de informações de eventos fabulosos e incríveis. Saio de férias dia 23/12/2011 e volto dia 05/01/2012.

Já temos algumas pautas “engatilhadas” para As Metonímias. Fique de olho!

O meu facebook e twitter estarão sendo atualizados automaticamente a partir do momento que os posts daqui irão para o ar. Se quiser também acompanhar por lá os links estão aqui.

Como presente de Natal, inauguro a sessão “A música é para comer”. A frase é uma paráfrase de uma canção que a Maria Bethânia faz uma performance em seu show, o Maricotinha ao Vivo, referente à poesia - “A poesia é para comer”. A intenção é deixar, depois de todas as matérias, entrevistas e informações culturais uma música que complete as informações acima. Haverá também um pouco de informações sobre a música e banda, mas sem alongar. A intenção é somente dar um dica de uma música e/ou uma banda que você, meu leitor (a), possa (re) descobrir.

Vou ficar por aqui. Feliz Natal e boa chegada do Novo Ano. Ah, vale ressaltar que todo final do ano é o momento de comprar roupa nova e dar um “up” no visual, então… Nada melhor do que ter um design novo neste blog, afinal ele também merece mudar de estilo.

Até breve,

@ma_palas

A música é para comer - Vou ser bem sincera. Não conheço o dj que posto abaixo. Descobri no blog do Zeca Camargo, porém me lembrou o estilo do CSS (Cansei de Ser Sexy). É excelente para colocar na festa de virada do ano. Dá uma conferida. 

Dezembro 8, 2011
Evento de literatura online

Hoje (9), às 22h, no blog Outros Críticos, acontece o lançamento do e-book de contos de Carlos Gomes intitulado “Corto por um Atalho em Terras Estrangeiras”, que está sendo lançado de forma independente por intermédio das plataformas digitais. O e-book contém 26 contos e que segundo Carlos Gomes “são estórias em nenhuns lugares”.

O autor estará online no Facebook para enviar os arquivos do livro para as primeiras pessoas que o adquirirem. Além disso, haverá um sorteio entre os 10 primeiros compradores de 4 edições impressas da Coletânea Sesc DF de Poesia, 2010, que Carlos Gomes foi um dos selecionados.

Para esse lançamento, o e-book de crônicas está sendo vendido nos sites Pagseguro e Amazon.com. Verifique as formas de pagamentos.

Carlos Gomes já disponibilizou na internet uma coletânea de poemas, contos e crônicas, o e-book “Primeiro Caderno de Carlos Gomes”, no qual teve mais de 3.000 downloads.

Serviço:

COMPRAR - EPUB e PDF (a partir de 09/12/11 às 22h)

http://www.gomesemaia.blogspot.com/

http://outroscriticos.blogspot.com/

PLATAFORMA DE COMPRA

https://pagseguro.uol.com.br/

Kindle (liberado)

http://www.amazon.com/dp/B006HKZO12

Link do evento: http://www.facebook.com/events/185824218173877/

Dezembro 3, 2011
O Bom Retiro das Culturas

A diversidade cultural do Bom Retiro contada pelos moradores

No bairro do Bom Retiro, São Paulo (SP), a presença de diversos imigrantes oferta uma vasta forma de expressão cultural, que pode ser exemplificada pela variedade linguística e religiosidade. Esse fato vem ganhando um olhar especial de artistas, estudiosos e órgãos públicos, como por exemplo, o Iphan SP (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Imagine um bairro onde a sinagoga é alguns metros da banca que vende periódicos hispânicos. Perto dali, há um restaurante grego chamado de Acrópolis. O dono do restaurante é Trassios, de 93 anos, que possui uma fala mansa e uma capacidade de expressar sobre o Bom Retiro com muito orgulho e carinho. “Conheço o Bom Retiro há 40 anos. Minha clientela é de coreanos, gregos e judeus. Todos parecem uma família, é uma comunidade”, diz Trassios. 

O grego Trassios em frente ao seu restaurante, o Acrópolis, no Bom Retiro.

Para o arquiteto e museólogo Julio Abe, estudioso desse multiculturalismo do bairro, “o mais interessante do bairro Bom Retiro é unir várias culturas em um mesmo local”.

Essa diversidade cultural tão presente perante um intenso comércio no dia a dia que vem chamando a atenção de alguns órgãos públicos para realizar um processo de identificação dos elementos culturais presentes nesta comunidade. De acordo com a coordenadora do Iphan responsável pela pesquisa sobre o Bom Retiro Simone Toji, “a pesquisa realizada no bairro do Bom Retiro faz parte do movimento de ampliar a noção de patrimônio cultural. Se durante muito tempo os reconhecimentos de patrimônio cultural eram representados por meio de edificações e sítios urbanos, novas categorias puderam ser contempladas como patrimônio cultural, como saberes, modos de vida, ritos e práticas sociais, isto é, celebrações, formas de cantar, dançar ou tocar, entre as muitas possibilidades”.

Imagem de uma santa boliviana que está na Praça Kantuta do Bom Retiro.

Esta pesquisa foi denominada como “Multiculturalismo em situação urbana – inventário de referências culturais do bairro do Bom Retiro”, sendo vista não só como uma questão de decreto por um órgão público. Para Simone “somente com a realização do inventário foi possível realizar a articulação e a troca entre diferentes grupos e diferentes organizações presentes no bairro. Ao mesmo tempo, houve a possibilidade de alguns grupos como os de judeus, os hispanoamericanos, os gregos, os armênios, os coreanos e seus descendentes de sentirem sua história e cultura reconhecidas. 

O longo processo de pesquisa e de interação também gerou visibilidade para o Bom Retiro, atraindo o interesse de outros pesquisadores e de artistas sobre as particularidades locais. A curadora Lilian Amaral salienta que “o trabalho do Iphan possibilitará uma abertura para transitar em todos os territórios, aliando com um discurso menos hegemônico”.

Peruanas vendendo doce na Praça Kantuta

O rico patrimônio cultural estruturado no Bom Retiro é oriundo do enorme fluxo de imigrantes devido às necessidades industriais e econômicas de São Paulo. A curadora local do projeto ID Bairro SP#02 – projeto internacional de arte urbana que realiza inserções artísticas em torno do patrimônio cultural do bairro do Bom Retiro - Lilian explica que hoje “as pessoas circulam no bairro de acordo com o trabalho. É uma cultura de convivência, de concessão, em um mundo globalizado. É uma Glocalização - uma tensão que trata do mundo globalizado neste mesmo mundo que tem uma resistência local misturada com uma cultura”.

@ma_palas

Novembro 23, 2011
A Casinha

Um grandíssimo amigo fez esse texto para uma outra amiga.

Achei tão interessante porque reúne “gente” que entende de arte, cultura e da humanidade. Posto aqui:

Ontem,
Gabriel chegou pra mim e perguntou se eu queria portar o filho de Deus.
John Lennon disse pra eu imaginar.
Nietzsche olhou-me profundamente, inspirado.
João da Cruz encontrou Tereza D’ávila.
Buddha mostrou-me, finalmente, o que é ilusão.
Newton subiu nos ombros dos gigantes.
Perseu refletiu pra mim, no espelho, a cabeça da Medusa.
Joana D’Arc relatou pra mim o que diziam as Vozes.
Meu pai chegou do hospital.
Shakespeare questionou de que são feitos os sonhos.
Zoroastro apontava para as Estrelas.
Albert Einstein mostrou-me a língua.
Godot chegou à minha casa.
John Milton descreveu-me o Paraíso Perdido.
Oswald de Andrade finalmente comeu alguém.
Helena segredou-me que ia mesmo com Páris.
Nilton ensinou-me economia.
Jason Bourne descobriu quem é e expôs pra mim toda a corrupção da CIA.
Taylor Lautner e Cate Blanchett apaixonaram-se por mim.
Miguel abaixou sua espada e beijou Lúcifer na boca na minha frente!
Elizabeth I tornou-me Cavalher.
Davi falou comigo.
Neo já tinha estado na Fonte e queria que eu fosse com ele à Cidade das Máquinas.
Julieta e Romeu perguntaram minha opinião sobre um ménage com Capitu. Dei a maior força.
Michelangelo chegou a considerar se eu não seria modelo vivo.
Merlin fez seu último encantamento.
Fui massageado pelo Tigrão em Ipanema.
Mona Lisa confessou-se comigo.
Armstrong deu um pequeno passo. A humanidade, um salto.
Jung disse que minha vida deveria ser a mais completa realização do Inconsciente.
Plutão entrou em conjunção com Netuno.
Saint Germain ofereceu-me uma ametista.
Colombo deu-me passagem para uma viagem transatlântica.
Hamlet conversou comigo e optou por Ser.
O Cristo convidou-me a vender tudo o que tenho e segui-lo.
Encontrei Beatriz, na porta, pronta para partir.
Então,
Ana deixou-me ver a casinha.

 
(Fernando Cavalher)

Novembro 20, 2011
Resenha diferente do filme “O Palhaço”

Há dias venho querendo escrever uma resenha sobre o filme “O Palhaço” de Selton Mello. Ainda mais depois que o assisti pela primeira vez e, no dia seguinte, li (vide foto abaixo) um tapume de uma construção com uma frase referente a um palhaço.

Para me abarcar de inspirações fiz o seguinte: fui ao cinema assisti-lo três vezes - para ter uma análise importante das cenas e dos personagens - , li várias resenhas na internet, fiz várias anotações que julgo interessante e rascunhei um lead jornalístico impactante.

Pois bem…. Joguei a tolha (bem longe desta vez). Resolvi escrever esse texto de uma forma imensamente pessoal (deixando de lado, de certa forma, as construções jornalísticas aprendidas na faculdade).

O enredo do longa-metragem baseia em descrever a vida e a turnê dos palhaços Benjamin (Selton Mello) e Valdemar (Paulo José) ou, quando estão no picadeiro, Pangaré e Puro-Sangue, que percorrem boa parte de Minas Gerais. O filme tem um quê de relação entre pai e filho, sendo permeado pela sensibilidade – principalmente na composição e nas atitudes do personagem Benjamin.

  

O mais interessante do palhaço Pangaré (Benjamin ou Selton Mello) é que ele tem uma crise de identidade, em todos os sentidos. Ele não tem documento de identidade, CPF, comprovante de residência e ainda elege um ventilador como seu bem de consumo mais desejado. Benjamin ainda convive com as responsabilidades do picadeiro que acumula e precisa resolver urgentemente, como por exemplo, conseguir um sutiã para uma das integrantes da trupe.

O Palhaço é um filme que permeia muito a comédia em contraponto com a suavidade das cenas, dos personagens e dos objetivos humanos. É como se o Selton conseguisse misturar, em um copo, água e óleo. É tão poética que não há como não se identificar e chorar com as cenas finais – mesmo sabendo que o enredo leva a uma dedução de como tudo irá se finalizar.

A minha pessoal relação com este filme é que eu entendo perfeitamente Benjamin. Chega-se em um momento da vida em que há um questionamento e desejo de romper com seu trabalho, supostamente imposto por questões familiares, para repensar na vida e “correr” atrás daquilo que você, particularmente, acha importante e interessante para sua vida.

Enfatizando, entendo Benjamin. Entendo o final do filme também (apesar ter realizado atitudes e decisões opostas do personagem - o retorno). Entendo da mesma forma que sei de todos os processos que as mitocôndrias fazem em minhas células.

Gostei muito do filme. As questões existenciais e humanísticas são tratadas de forma leve. Você assiste ao filme docemente, dando risada, mas no final chora porque além de uma identificação, há também outra questão muito importante levantada pela película: Benjamin se reconhece, cresce e amadurece suas convicções de vida e desejos profissionais. Não é uma lágrima de tristeza que escorre pela face do telespectador, mas sim de admiração por ver que a partir dali nasceu um ser humano que ganha um função no mundo e em sua própria vida.

@ma_palas

Novembro 10, 2011
Luz Del Fuego com Deus sem calças

“Eu hoje represento o segredo, enrolado no papel como Luz Del Fuego. Não tinha medo, ela foi pro céu, cedo!”

Esta estrofe da música intitulada “Luz Del Fuego”, autoria de Cássia Eller, suscita curiosidade acerca do nome que é título da canção.  Algumas pessoas poderão imaginar, inicialmente, que este nome talvez seja uma nova marca de um abajur chique ou de uma tocha olímpica que acabara de ser acessa. Por outro lado, esta ideia é bem interessante se comparamos ao brilho e ardor destes objetos com o glamour que teve uma vedete, nos anos 50, em circos e teatros no Brasil.

Luz Del Fuego - pseudônimo de Dora Vivacqua -bailarina, escritora, naturista e feminista. É considerada uma artista que contestava os costumes de sua época, tanto que sua família burguesa a internou diversas vezes em manicômios, onde fora diagnosticada erroneamente como esquizofrênica.

A importância de Fuego na história cultural do Brasil  é que suas performances artísticas foram sempre apresentadas com um casal de jiboais envolta de seu pescoço e seminua.  Ela era única, exótica, mais sexy e sempre ganhava atenção dos noticiários da época. O sucesso lhe rendeu uma publicação que contém trechos ardentes de seu diário, como por exemplos relatados de um envolvimento com seu cunhado e o momento que teve uma prostituição declarada.

Ela foi presa diversas vezes por praticar nudismo e acabou fundando o Partido Naturista Brasil, que acabou extinto. Foi viver em uma ilha, depois que ganhou de presente do ministro da Marinha, onde recebia diversas amigos e personalidades – inclusive as estrelas hollywoodianas Errol Flynn, Lana Turner, Ava Gardner, Tyrone Power, César Romero e outros.

Mas o que será que Luz Del Fuego acharia de uma matéria que está sendo veiculada na imprensa com o título “Nudismo Evangélico em crescimento”?  Será que ela entraria em colapso? Ou acharia o máximo? Essa é minha dúvida…

Oras, oras… Será uma nova igreja ou simplesmente uma excêntrica seita? Não, meus caros! É a aplicação prática da indicação religiosa de ir encontrar a Deus em situações e formas diferentes. E quem disse que Deus também não pode estar em uma ilha - ou igreja - de nudismo? Uuullaa láaa.

@ma_palas

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